Lula é reeleito presidente com mais de 64 milhões de votos; Flávio Bolsonaro não reconhece derrota

Petista vence o segundo turno por uma diferença de mais de 4,4 milhões de votos e chega ao quarto mandato. Adversário do PL diz que vai à Justiça pedir a anulação da eleição.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) e seguirá no comando do país por mais quatro anos. Quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória, às 21h08, com 97,69% das urnas apuradas, o petista tinha 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao fim da contagem, Lula passou dos 64 milhões de votos e Flávio superou os 59 milhões, uma diferença de mais de 4,4 milhões. Poucas horas depois, o candidato derrotado anunciou que não aceita o resultado.

Quarto mandato e recado às plataformas digitais

Lula fez o primeiro pronunciamento como presidente reeleito por volta das 22h20, em um hotel de São Paulo, e depois seguiu para a Avenida Paulista, onde apoiadores festejavam. No discurso, disse que a campanha teve de superar uma interferência vinda de fora do país por meio das redes sociais e voltou a defender a regulação das big techs, além de criticar grandes empresas que, segundo ele, não pagam impostos no Brasil e tentam influenciar o voto.

Será o quarto mandato do petista, que governou o país entre 2003 e 2010 e voltou ao Palácio do Planalto em 2023. Lula completa 81 anos nesta terça-feira (27).

Flávio fala em “mudança de regra” e promete recorrer

Ao lado de aliados, em frente ao comitê de campanha em Brasília, Flávio Bolsonaro afirmou que não reconhecerá a vitória do adversário. O senador concentrou as críticas na decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu o horário de votação até as 19h. Para ele, a medida alterou as regras com a disputa em andamento e tratou de forma desigual eleitores de cidades e estados diferentes. Flávio disse que sua equipe jurídica vai pedir a anulação da eleição e saiu sem responder às perguntas da imprensa.

Um detalhe pesa contra o argumento: as duas campanhas pediram a prorrogação ao longo do dia. A de Lula alegou falta de ônibus em cidades da Bahia e na capital paulista; a de Flávio citou chuva e quedas de energia.

Por que a votação foi estendida

Como o TSE demorou a responder aos pedidos, a coligação de Lula levou o caso ao STF. Zanin mandou prorrogar a votação no fim da tarde e, depois, esclareceu que a decisão valia apenas para as seções que ainda estavam abertas. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais regionais a manter essas seções funcionando até as 19h. Os votos já registrados em urnas encerradas foram contabilizados normalmente.

A Polícia Federal também apura se a redução da frota de ônibus em alguns locais atrapalhou a chegada dos eleitores às seções. Há um inquérito aberto em Sergipe e verificações em andamento em São Paulo, Bahia, Alagoas e Piauí.

TSE diz ter “absoluta segurança” no resultado

Nunes Marques telefonou para os dois candidatos para comunicar o resultado, elogiou a campanha de Flávio e destacou a vitória expressiva de Lula. O ministro afirmou que não houve interferência externa no sistema de votação e que observadores internacionais confirmaram a transparência do processo. Os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, também parabenizaram o presidente reeleito.

O segundo turno em números

  • Cerca de 128 milhões de eleitores compareceram às urnas;
  • A abstenção ficou em 19,21%, abaixo dos 21,08% registrados no primeiro turno;
  • Votos brancos e nulos somaram 3,24% (com 97,69% das urnas apuradas);
  • Das 499 mil urnas eletrônicas, 1.551 precisaram ser trocadas (0,31%);
  • Até a noite de domingo, a PF abriu três inquéritos, registrou 44 termos circunstanciados e levou 56 pessoas às delegacias, a maioria por violação do sigilo do voto, propaganda irregular e desobediência eleitoral.

O que vem pela frente

O pedido de anulação anunciado pelo PL ainda precisa ser apresentado e será analisado pela Justiça Eleitoral. Enquanto isso, o resultado segue válido e Lula deve tomar posse para o novo mandato em 5 de janeiro de 2027. No Amazonas, a eleição também definiu o novo governador: Omar Aziz (PSD) venceu a Professora Maria do Carmo (PL) e assume o estado no ano que vem.

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