Comissão Eleitoral da Venezuela afirma que Nicolás Maduro foi reeleito, mas oposição contesta o resultado

Na madrugada desta segunda-feira (29), o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE) anunciou que, com 80% dos votos apurados, Nicolás Maduro foi reeleito para a presidência. Segundo o CNE, que é dirigido por um aliado de Maduro, ele obteve 51,2% dos votos, enquanto o principal adversário, Edmundo González, recebeu 44%. A diferença entre os dois candidatos é de aproximadamente 704 mil votos. A última atualização foi feita quando o site do CNE saiu do ar; portanto, os números podem ser ajustados conforme mais informações se tornem disponíveis.

Após o anúncio, Maduro fez um discurso para seus apoiadores no Palácio de Miraflores, afirmando que sua reeleição representa um “triunfo da paz e da estabilidade”. Ele declarou: “O povo disse paz, tranquilidade. Fascismo na Venezuela, na terra de Bolívar e Chávez, não passará”. Com a vitória, Maduro, que tem 61 anos e começou sua carreira política como motorista de ônibus, deve permanecer no poder por mais seis anos, totalizando 17 anos de governo. Hugo Chávez, seu predecessor, governou por 14 anos até sua morte em 2013.

Contestação pela Oposição

Logo após o resultado ser divulgado, a oposição, que havia denunciado diversas irregularidades durante o processo eleitoral, questionou a veracidade dos números. Maria Corina Machado, uma das líderes da oposição impedida de concorrer, afirmou que o verdadeiro vencedor é Edmundo González, que, segundo seus cálculos, teria recebido 70% dos votos contra apenas 30% de Maduro. Pesquisas de boca de urna publicadas pela agência Reuters também indicavam uma vitória ampla de González.

González, que assumiu a candidatura após a exclusão de Maria Corina Machado, prometeu que “não descansará até que a vontade popular seja respeitada”.

Participação e Repercussão Internacional

O CNE informou que a participação eleitoral foi de 59%, um aumento significativo em relação aos 46% registrados em 2018. No entanto, a divulgação dos resultados foi atrasada devido a uma alegada “agressão ao sistema de transmissão de dados”. O CNE prometeu disponibilizar os resultados detalhados e em formato digital para as organizações políticas conforme a legislação.

Diversas autoridades internacionais reagiram ao resultado. O Brasil pediu uma maior transparência para assegurar a legitimidade do pleito. O secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, expressou preocupações de que os resultados possam não refletir a vontade do povo venezuelano. O presidente do Chile, Gabriel Boric, e o chanceler peruano, Javier González-Olaechea, também criticaram a falta de verificação dos resultados e condenaram as irregularidades no processo.

Situação da Votação

Apesar da tensão e das longas filas em vários locais de votação, o processo ocorreu sem grandes incidentes de violência. A votação foi realizada das 7h às 19h, com eleitores ainda podendo votar se estivessem na fila após o horário oficial de encerramento. Maduro votou cedo e afirmou que respeitará os resultados oficiais e garantirá que o processo seja respeitado.

Essa eleição foi considerada a mais desafiadora para o chavismo em 25 anos, com o governo enfrentando críticas e resistência tanto dentro quanto fora da Venezuela.

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