O delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação junto ao ICE, em Miami, passou a ser foco de uma situação diplomática sensível entre Brasil e Estados Unidos. De acordo com autoridades brasileiras, ele teria participado da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, que estava foragido da Justiça no Brasil.
O governo norte-americano solicitou que o delegado deixe o país, decisão que causou surpresa entre representantes brasileiros e levantou questionamentos sobre as razões do pedido.
Na função de oficial de ligação, Carvalho era responsável por intermediar a cooperação entre a Polícia Federal e agências de segurança dos Estados Unidos, atuando no compartilhamento de informações e no apoio a investigações internacionais, incluindo casos de crimes financeiros, tráfico e terrorismo. Esse tipo de cargo é considerado estratégico por depender de confiança mútua entre os países envolvidos.
A solicitação de saída foi confirmada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, por meio do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, em publicação na rede social X. Sem mencionar diretamente o nome do delegado, o órgão afirmou que nenhum estrangeiro pode utilizar o sistema migratório americano para contornar processos formais de extradição ou ampliar perseguições políticas dentro do território dos EUA.
Segundo a manifestação oficial, a atuação foi interpretada como uma tentativa de manipular o sistema de imigração, com o objetivo de driblar procedimentos legais e estender ações de cunho político.
A missão de Carvalho em Miami, inicialmente prevista para dois anos, havia sido prorrogada em março de 2025 até agosto de 2026. Ao longo de mais de duas décadas na Polícia Federal, ele ocupou cargos como superintendente na Paraíba e funções de combate ao crime organizado em São Paulo, além de chefiar a delegacia do Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Diante do episódio, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil reagiu adotando o princípio da reciprocidade. O Brasil decidiu retirar as credenciais de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava no país.
O governo brasileiro afirmou que a decisão americana não foi precedida de diálogo ou pedido de esclarecimentos, como previsto em acordos bilaterais que regulam a cooperação policial entre os dois países. Também destacou que a medida contraria práticas diplomáticas consideradas adequadas entre nações com longa relação histórica, como Brasil e Estados Unidos.
Com a retirada das credenciais, o agente norte-americano teve suas atividades oficiais suspensas imediatamente em território brasileiro.




