David Almeida aposta na gestão de Manaus, Omar Aziz explora experiência, Maria do Carmo defende mudança e Isael Munduruku tenta se apresentar como alternativa aos grupos tradicionais
O primeiro debate televisivo entre candidatos ao Governo do Amazonas nas eleições de 2026 colocou em evidência as principais estratégias que devem marcar a disputa eleitoral. Realizado pela Band, o encontro reuniu David Almeida (Avante), Omar Aziz (PSD), Maria do Carmo (PL) e Isael Munduruku (Rede).
Mais do que apresentar propostas, os candidatos utilizaram o espaço para destacar suas trajetórias políticas e administrativas, além de estabelecer os principais adversários que pretendem enfrentar ao longo da campanha.
A ausência de Roberto Cidade (União Brasil) também ganhou destaque durante o debate. Mesmo sem participar, o candidato foi citado pelos demais concorrentes em diferentes momentos, principalmente em críticas relacionadas à atual administração estadual e à gestão de Wilson Lima.
David Almeida aposta na experiência como prefeito de Manaus
David Almeida apresentou a administração de Manaus como principal credencial para disputar o Governo do Amazonas. Ao longo do debate, o candidato utilizou ações realizadas durante seus dois mandatos na Prefeitura como referência para defender a capacidade de administrar o Estado.
Temas como saúde, educação, segurança, agricultura e políticas sociais foram frequentemente relacionados à experiência da administração municipal.
A estratégia adotada foi apresentar a gestão da capital como uma espécie de modelo que poderia ser ampliado para os municípios do interior.
David também estabeleceu confrontos diretos com outros candidatos. Roberto Cidade apareceu entre os principais alvos das críticas, especialmente pela relação política com o governo estadual.
Outro embate ocorreu com Maria do Carmo, quando David questionou a experiência administrativa da candidata e fez críticas à instituição de ensino ligada à trajetória empresarial dela.
Maria do Carmo respondeu questionando a formação da filha do prefeito. O episódio marcou um dos momentos de maior tensão do debate.
Maria do Carmo tenta ocupar o campo da mudança
Maria do Carmo procurou construir uma candidatura associada à ideia de renovação política. A candidata destacou o fato de não ter ocupado anteriormente cargos de comando no governo estadual e utilizou essa característica para se diferenciar dos adversários com trajetória política.
Nas considerações finais, afirmou que sua candidatura seria a única capaz de representar uma mudança em relação aos grupos que já estiveram no poder.
A estratégia coloca no centro do debate a permanência de problemas históricos do Amazonas e questiona a capacidade dos políticos que já administraram o Estado de apresentar soluções diferentes.
Ao mesmo tempo, sua trajetória empresarial e educacional pode ser explorada pelos adversários durante a campanha, especialmente quando o debate envolver experiência na administração pública.
Omar Aziz utiliza experiência política como principal argumento
Omar Aziz adotou uma estratégia diferente. Em vez de tentar se afastar da experiência política, apresentou justamente sua trajetória administrativa como uma vantagem para disputar novamente o Governo do Amazonas.
Durante o debate, o candidato citou ações realizadas durante o período em que esteve à frente do Executivo estadual, especialmente nas áreas de saúde, educação, segurança e valorização dos servidores.
A experiência, porém, também abriu espaço para questionamentos.
Isael Munduruku explorou esse ponto ao cobrar explicações sobre problemas que continuam afetando municípios do interior, comunidades indígenas e áreas como saneamento e saúde pública.
Omar respondeu destacando realizações de sua passagem pelo governo e defendendo o legado construído durante sua trajetória política.
Assim como David Almeida, Omar também direcionou críticas a Roberto Cidade, principalmente em relação à situação atual do governo estadual.
Isael Munduruku busca espaço como alternativa
Isael Munduruku entrou no debate tentando evitar que sua candidatura fosse colocada em segundo plano diante da disputa entre nomes com maior presença política no Estado.
Logo na apresentação, afirmou que sua candidatura não pretendia exercer um papel secundário na eleição.
O candidato direcionou críticas ao que classificou como “velha política” e questionou adversários que já ocuparam posições de poder no Amazonas.
Isael também protagonizou um confronto com Maria do Carmo ao abordar questões relacionadas às políticas voltadas aos povos indígenas e sua associação com o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A pauta indígena foi um dos temas utilizados pelo candidato para estabelecer uma identidade própria durante o debate e buscar diferenciação em relação aos demais concorrentes.
Ausência de Roberto Cidade muda dinâmica do debate
Embora não tenha participado do encontro, Roberto Cidade acabou se tornando um dos principais personagens do debate.
A cadeira destinada ao candidato permaneceu vazia, enquanto os demais concorrentes fizeram críticas à atual administração estadual e associaram Cidade ao governo de Wilson Lima.
David Almeida e Omar Aziz utilizaram a ausência para apresentar questionamentos sobre áreas como saúde, segurança, educação e gestão dos recursos públicos. Maria do Carmo também direcionou críticas ao governo estadual.
Com isso, a ausência produziu um efeito político inesperado: Cidade não precisou responder diretamente aos ataques durante o debate, mas também não teve a oportunidade de apresentar sua própria versão sobre os temas levantados.
O que o primeiro debate revelou
O primeiro debate televisivo da eleição estadual apresentou quatro estratégias distintas.
David Almeida procurou transformar a experiência à frente da Prefeitura de Manaus em argumento para disputar o governo. Omar Aziz apresentou sua trajetória política e administrativa como principal credencial. Maria do Carmo tentou ocupar o espaço de mudança em relação aos grupos que já governaram o Estado. Isael Munduruku buscou se apresentar como alternativa aos nomes tradicionais da política amazonense.
Enquanto isso, Roberto Cidade, mesmo ausente, passou a integrar o debate por meio das críticas dos adversários.
O encontro serviu, portanto, como uma primeira demonstração dos campos de disputa que devem ganhar força durante a campanha de 2026. A tendência é que os próximos debates ampliem a cobrança sobre resultados administrativos, propostas para o interior e respostas aos problemas históricos do Amazonas.




