A eleição presidencial brasileira ganhou repercussão na Casa Branca. Nesta segunda-feira (26), em conversa com jornalistas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou em dúvida o resultado do segundo turno que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que a votação “pareceu fraudulenta”, sem apresentar qualquer elemento que sustentasse a acusação. A resposta do governo brasileiro veio no mesmo dia: o vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin (PSB), classificou a avaliação do norte-americano como “equivocada”.
O que Trump disse
O alvo principal das críticas foi a prorrogação do horário de votação no domingo (25). Por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), as seções que ainda estavam abertas puderam receber eleitores por mais duas horas, até as 19h, depois de relatos de falhas no transporte público em várias cidades. Para Trump, a medida foi “muito estranha”.
Questionado se pretendia tomar alguma providência, porém, o republicano baixou o tom. Lembrou que não governa o Brasil e afirmou ter uma boa relação com Lula.
Alckmin rebate e defende a soberania
Em entrevista à TV Vanguarda, Alckmin rejeitou a leitura de Trump e reforçou um princípio básico da diplomacia: um país não deve interferir nos assuntos políticos de outro. A fala ecoa o discurso de vitória de Lula, que no domingo afirmou ter precisado vencer uma “intromissão vinda de fora” por meio das plataformas digitais.
Tarifas seguem na mesa
O vice-presidente também tratou da relação comercial entre os dois países. Segundo ele, o Brasil vai continuar negociando com os Estados Unidos apesar das tarifas impostas por Washington, e ao mesmo tempo seguirá ampliando acordos com outros mercados. O tarifaço norte-americano sobre produtos brasileiros já vinha gerando atrito entre os dois governos ao longo do ano.
Contexto: o resultado que Trump questiona
- Lula foi reeleito com mais de 64 milhões de votos (51,7% dos válidos);
- Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59,8 milhões de votos (48,2%);
- A prorrogação do horário até as 19h foi pedida pelas duas campanhas e valeu apenas para seções que ainda estavam abertas;
- O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que não houve interferência externa e que observadores internacionais atestaram a transparência do processo;
- O próprio PL, partido de Flávio, reconheceu oficialmente a vitória de Lula nesta segunda-feira.
Os desdobramentos
A declaração de Trump não tem efeito sobre o resultado, que já foi proclamado pelo TSE e reconhecido até pelo partido do candidato derrotado. O episódio, no entanto, adiciona tensão a uma relação bilateral já marcada pela disputa tarifária e deve pesar no tom das negociações entre Brasília e Washington no início do novo mandato de Lula.




