Amazonas avança na recuperação de áreas degradadas com plantio de espécies nativas no Baixo Rio Negro

Projeto prevê restaurar até 200 hectares na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Puranga Conquista, em Manaus, com participação de comunidades e uso de espécies da floresta amazônica

Uma área degradada no coração da Amazônia está sendo transformada novamente em espaço de floresta. Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, no Baixo Rio Negro, em Manaus, um projeto de restauração ecológica trabalha para recuperar até 200 hectares com o plantio de espécies nativas e a participação direta das comunidades locais.

A iniciativa é desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), por meio do Projeto REFLORA, que combina restauração ambiental, formação de moradores e fortalecimento da cadeia de produção de mudas e sementes.

Em 2026, o projeto iniciou uma nova campanha de plantio com a previsão de levar mais de 15 mil mudas para áreas selecionadas da reserva. A ação faz parte do planejamento para alcançar a meta de recuperação de 200 hectares.

O trabalho utiliza espécies nativas da Amazônia, sistemas agroflorestais e estratégias de regeneração de florestas secundárias. A proposta não se limita ao plantio de árvores, mas também busca criar condições para que as próprias comunidades participem da restauração e possam gerar renda a partir de atividades relacionadas à floresta.

Recuperação com participação comunitária

Um dos diferenciais do projeto é a participação dos moradores das comunidades localizadas na RDS Puranga Conquista. A iniciativa trabalha com formação de pessoas para coleta de sementes, produção de mudas e implantação de viveiros comunitários.

Atualmente, quatro viveiros comunitários já foram implementados na reserva. A estrutura permite ampliar a oferta de espécies utilizadas tanto na recuperação das áreas degradadas quanto nas atividades produtivas das comunidades.

A estratégia também busca fortalecer uma cadeia econômica ligada à restauração florestal, aproximando a produção comunitária de sementes e mudas de mercados de produtos florestais.

Espécies nativas ajudam a recuperar a floresta

O plantio prioriza espécies da própria região amazônica. Entre as espécies utilizadas em etapas anteriores estão a andiroba e a itaúba.

Na primeira etapa do projeto, foram plantadas mais de 4 mil mudas de espécies nativas. O trabalho vem sendo ampliado nas campanhas seguintes, com o objetivo de recuperar áreas que sofreram diferentes níveis de degradação.

Além da recuperação da vegetação, os sistemas agroflorestais permitem combinar árvores com espécies utilizadas pelas comunidades, como frutas e hortaliças. Dessa forma, a restauração pode contribuir simultaneamente para a conservação ambiental e para a produção sustentável.

67 hectares já implementados

De acordo com o relatório de atividades do IPÊ, o projeto já havia implementado 67 hectares de restauração na RDS Puranga Conquista até 2025.

A atuação ocorre em três frentes principais: plantio de mudas de espécies nativas, formação de pessoas para coleta de sementes e construção de viveiros para fortalecer a cadeia de restauração no Amazonas.

A previsão é que novas campanhas de plantio sejam realizadas ao longo do ano. Em junho de 2026, o projeto informou que havia encerrado temporariamente a campanha devido ao fim do período chuvoso e que a equipe deveria retornar às atividades a partir de novembro para avançar na meta de 200 hectares.

Restauração vai além do plantio de árvores

A recuperação de uma área degradada exige mais do que colocar mudas no solo. É necessário escolher espécies adequadas, preparar as áreas, acompanhar o desenvolvimento das plantas e garantir que a vegetação consiga se estabelecer ao longo do tempo.

Por isso, o Projeto REFLORA também investe em planejamento, capacitação e conhecimento produzido junto às comunidades.

A proposta é fazer com que a restauração seja incorporada à realidade econômica e social dos moradores, criando oportunidades relacionadas à coleta de sementes, produção de mudas, produtos da floresta e outras atividades sustentáveis.

Um desafio para o Amazonas

A recuperação de áreas degradadas é uma das estratégias utilizadas para reduzir os impactos provocados pela perda de cobertura vegetal e aumentar a capacidade de recuperação dos ecossistemas.

No Amazonas, a questão ganha importância especialmente em regiões submetidas a pressões de desmatamento e mudanças no uso da terra. Projetos como o REFLORA mostram uma das possibilidades de atuação: recuperar áreas já alteradas sem deixar de considerar as necessidades das populações que vivem no território.

No sul do estado, por exemplo, iniciativas anteriores apoiadas pelo Fundo Amazônia trabalharam com recuperação de áreas desmatadas nos municípios de Boca do Acre, Lábrea, Apuí e Novo Aripuanã, utilizando reflorestamento, sistemas agroflorestais e outras formas de manejo sustentável.

A experiência mostra que a recuperação ambiental no Amazonas pode envolver diferentes estratégias, desde o reflorestamento de áreas degradadas até a criação de sistemas produtivos que mantenham a floresta em pé.

No Baixo Rio Negro, a expectativa é que o trabalho continue avançando até alcançar os 200 hectares previstos, transformando áreas degradadas em novos espaços de floresta e fortalecendo, ao mesmo tempo, a participação das comunidades na conservação da biodiversidade amazônica.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *