Com emoção e representatividade, duas novas desembargadoras tomam posse no TJAM

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) viveu um momento marcante nesta segunda-feira (28), ao empossar duas novas desembargadoras em cerimônia repleta de simbolismo, emoção e representatividade. Lia Maria Guedes de Freitas e Ida Maria Costa de Andrade passaram a integrar oficialmente o quadro da 2ª instância do Judiciário estadual, em solenidade realizada no auditório do Centro Administrativo Desembargador José de Jesus Ferreira Lopes, em Manaus.

A cerimônia, prestigiada por autoridades dos três poderes, familiares, servidores e representantes da sociedade civil, refletiu o avanço da presença feminina na cúpula do Judiciário amazonense. Com as duas nomeações, o TJAM passa a contar com dez mulheres desembargadoras — metade delas empossadas a partir de 2019.

Além da tradicional troca de togas, o evento ganhou contornos emocionantes. Familiares e amigas das novas magistradas participaram dos momentos simbólicos, reforçando o caráter afetivo da trajetória profissional das duas juízas promovidas. O presidente da Corte, desembargador Jomar Fernandes, destacou em seu discurso que a posse representava não apenas uma conquista individual, mas também o reconhecimento da trajetória de mulheres comprometidas com a Justiça.

Avanço feminino respaldado por norma nacional

A nomeação da desembargadora Ida Maria, promovida por merecimento, teve um caráter histórico. Foi a primeira feita com base em uma lista composta exclusivamente por mulheres, conforme determina a Resolução nº 525/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que busca assegurar maior equidade de gênero nos tribunais. O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, que esteve presente à solenidade, ressaltou que a medida não é um privilégio, mas uma tentativa de corrigir uma distorção histórica na distribuição de cargos de liderança no Judiciário.

“Trata-se de assegurar oportunidades iguais. O Judiciário deve refletir a diversidade que o compõe, e essa política existe justamente para que mulheres igualmente qualificadas tenham acesso ao topo da carreira”, afirmou o ministro.

Discursos de posse marcados por reflexões e homenagens

Em sua fala, Lia Maria Guedes fez uma reflexão sobre os desafios atuais enfrentados pelo Judiciário, como o crescimento da desinformação e a corrosão dos valores democráticos. Citando Norberto Bobbio, defendeu que a liberdade precisa estar atrelada à responsabilidade, e que o Direito deve ser uma resposta equilibrada às demandas sociais. A magistrada também enalteceu a importância das relações humanas e do apoio coletivo ao longo de sua trajetória.

Já Ida Maria Costa de Andrade usou sua posse para lembrar a força de sua mãe, servidora da Corte por mais de quatro décadas, e homenagear outras mulheres que marcaram a história do serviço público no estado. Ao comentar sobre sua ascensão por meio da política de equidade de gênero, foi enfática: “Não é concessão. É reparação histórica e cumprimento de princípios constitucionais e internacionais de igualdade”.

A nova desembargadora também abordou temas como raça, gênero e acesso ao poder, e concluiu sua fala com uma citação de Immanuel Kant: “Tudo o que não puder contar como fez, não faça”.

Presenças de peso

A posse contou com a presença do governador do Amazonas, Wilson Lima; do prefeito de Manaus, David Almeida; do senador Plínio Valério; de ministros, parlamentares, magistrados e representantes de diversas instituições civis e militares. A cerimônia foi marcada não apenas pela formalidade, mas pelo reconhecimento da importância do momento para o fortalecimento da representatividade feminina no Judiciário.

Com perfis distintos, mas trajetórias igualmente inspiradoras, Lia e Ida chegam à 2ª instância do TJAM carregando não apenas seus currículos, mas também o peso simbólico de um Judiciário que caminha, mesmo que aos poucos, para refletir melhor a sociedade que representa.

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